Estás de que lado da (r)evolução? – o momento de uma oportunidade

20 Setembro, 2018
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20 Setembro, 2018 ricardo

Sabes de que lado da (r)evolução estás?

A situação económica mundial está a sofrer profundas alterações há 10 anos. Verificam-se falências de instituições de referência, recessão de vários sectores de atividade, risco de incumprimento de nações e campanhas concertadas de fragilização de divisas.  Ao nível global, a questão que muitos se colocam, é se estas mudanças terão um impacto positivo ou negativo no panorama económico mundial.

Como é que, por exemplo, a robotização das operações logísticas, o crescente aumento da confiança dos consumidores nas compras online e a substituição de tarefas administrativas por Inteligência Artificial terá impacto nos atuais pressupostos do comércio mundial e no “papel” que correntemente está atribuído a cada nação?

Se calhar, o efeito mais visível destas alterações é ao nível do emprego. Com falências e encerramentos, a sociedade vê milhares dos seus elementos com uma enorme dificuldade de se conseguir realocar. Dificuldades que se fazem sentir também em se conseguirem reformular e adaptar às exigências mentais e técnicas que estas mudanças trazem.

Feliz ou infelizmente, este tipo de alteração na sociedade não iniciou agora. Já acontece desde 1760. Na realidade, remete para a “spinning-jenny”, a locomotiva a vapor, entre outros. E que iniciaram o processo de substituição da economia “artesãos” para a “industrial”.

Será possível parar esta (r)evolução? E será que o queremos?

Mas para uma empresa, o seu foco não é (exclusivamente) o macro.

O tema que preocupa os gestores e empresários não se prende com os impactos destas alterações no mundo lá fora. Mas no seu mundo cá dentro, com o desenvolvimento do seu negócio no dia-a-dia.

E se somos bombardeados consistentemente com notícias de falências e fechos, o certo é que temos assistido ao nascer e crescer de milhares de empresas. Iniciam atividades, apostam num sonho e contratam mais colaboradores. Desenvolvem novas tecnologias e investem milhões no seu futuro. Dão sinais claros de acreditar que ele será risonho.

Exemplos de sucesso

Um dos exemplos portugueses mais mediáticos é a Farfetch, um gigante que opera na área da moda. Mas não é de todo a única.

O que estará na base deste sucesso? Será um aproveitar da onda tech, ou há aqui algo mais profundo?

Acredito que as empresas que nasceram, resistiram e prosperaram neste período conturbado tiveram na sua mente (conscientemente ou não) a pergunta: “Como posso acrescentar mais valor à vida do meu cliente através do meu produto/serviço?”

E antes de desenvolver este tópico, quero que seja claro que sou um firme crente que todas as empresas procuram o lucro. As que não o fazem estão/estarão em grandes apuros. Todavia, a forma como o procuram e o conseguem faz (cada vez mais) toda a diferença. O fundamento deste sucesso assenta numa mudança de paradigma que pode ser sumarizada pela troca da mentalidade “money-oriented” para “value-oriented”.

O que é que isto quer dizer?

Significa que o sucesso está ligado com a capacidade de criar verdadeiro valor no cliente e não no lucro imediato.

Reforço: as empresas querem ter lucro!

Pós-web 3.0

A diferença é que o caminho para lá chegar, no pós-web 3.0, assenta em criar clientes que sejam “raving fans”. Isto é, promotores ativos da nossa “marca”, que se identificam com os nossos valores e que tem orgulho em nos usar.

Claro que nem todos os clientes se apaixonarão por nós. Mas devemos trabalhar para que os que se apaixonem queiram “partilhar o seu amor com o mundo! Conseguiremos isso desenvolvendo “soluções” de que tipo? Que respondam de tal forma às necessidades deles (que por vezes nem eles sabiam que tinham), que os façam sentir que estivemos mesmo a pensar neles enquanto o fazíamos. Com a enorme vantagem de o preço passar a ser um fator (muito) secundário no processo de compra.

Não acredita? Ligue para a Apple ou para a Nike.  E pergunte-lhes em que ideias assentam o plano de marketing. Ou leia as críticas dos restaurantes mais bem cotados do Trip Advisor. Que clientes falam (e já agora qual o preço médio da refeição)? Procure informação sobre as marcas de automóveis cujas vendas mais cresceram nos últimos anos e quanto é que custam os seus modelos.

Aviso

Atenção!! Esta alteração implica uma mudança profunda nos valores das organizações. Isto porque conhecer, servir e superar as expectativas do cliente tem de passar a ser a sua verdadeira missão. É neste ponto que os líderes dentro das empresas serão mais necessários.

Nenhuma mudança se opera por decreto, pelo que não vale a pena simplesmente informar que “criar valor passará a ser o nosso principal drive”, é preciso perceber o seguinte:

  1. O que significa na nossa organização “criar valor”?
  2. Que tipo de comportamentos temos de conseguir observar no terreno para perceber que estamos mesmo a “criar valor”?
  3. Quem vão ser os líderes que primeiro vão “comprar” esta ideia e que serão os maiores exemplos desta mudança?

As respostas a estas perguntas serão diferente de empresa para empresa. Mas não deixe de as responder só porque não tem um orçamento de marketing como a Adidas ou o departamento criativo da Disney. Cada empresa, dentro das suas limitações e possibilidades, pode começar hoje mesmo a implementar condutas e ações que a levarão mais próximo do sucesso. Ou não. É sempre uma escolha.

E lembre-se que “Roma e Pavia, não se fizeram num dia”. É essencial que a planificação da estratégia que implementará esta profunda alteração contemple tempo para a mesma ser assimilada. E, claro, comece a dar resultados.

Estou convencido que aqueles que o conseguirem mais rápido e com mais eficiência fazer esta transferência de foco e energia tem garantido um futuro muito risonho para a sua organização.


Ricardo Peixe:ricardo-peixe-blog-digitalgreen-(r)evolução-digital-2018 é o autor do artigo ‘Estás de que lado da (r)evolução?’, escrito por convite da digitalgreen.

– Coach de Alta Performance, Formador & Orador.

– Desde 2008 que se dedica à formação, treino e capacitação de equipas e empresas nas áreas da Comunicação & Influência.

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